Por quanto tempo venho me arrastando assim como um verme miserável?
Quero retirar as roupas imundas de uma existência vá.
Leio Zaratustra e ele me fala de uma vontade da vida, de como se a vida importasse por ela mesma.
Mas penso em expressar isso ao mundo em meio a essa guerra do nosso cotidiano mais absurdo.
Absurdo como as ruas do Brasil manchadas com nosso próprio sangue.
Vejo ao meu redor: leis e costumes feitos para escravizar nossa vontade. Nossa juventude consumindo seu medo da vida no doce prazer da aniquilação lenta dos entorpecentes. Não os julgo, poderia estar no lugar deles: uma grande despedida da vida, da dor, somente um prazer puro e cristalino.
Minha vontade também foi consumida, e já se passaram quantos anos 3, 10...?
Essa vida escapou de mim, correu como um rio. Suas águas passaram por mim mostrando que sou aquelas águas que se renovam, aquele rio que nunca mais será o mesmo, que não pode parar. Mas as águas dessa vida já estão poluídas como o Capibaribe que vejo, morto e negro de cima da ponte. Ele é como o cão imundo que sou, cansado, cabisbaixo, medroso.
Esse rio de mim que é ligado por uma memoria, essa carne particular que se me reconhecem como eu, também ele terá fim e será incorporado ao rio de Tudo que é o rio de Nada.
E as estrelas não ficarão de luto, indiferentes nas suas distâncias infinitas.
E assim com nessa morte cênica pretendo mostrar minha aceitação à vida, minha total e incondicional valorização da vida.
Como seria bom se houvesse amor entre as pessoas? Mas só há incompreensão, estranheza, solidão incondicional. Essencialmente estamos sozinhos nesse mundo. Mas ao mesmo tempo há uma multidão em nossa volta, e queremos esticar nossa mãos e atingimos a alma mesma daquela mulher que está ali do outro lado também sozinha. Mas há tanto o que nos impede, o que nos julga e nos condena que somos os primeiros a vacilar.
Como disse outro mais capaz do que eu: “Não digo que a vida é bela, tampouco me nego a ela, digo sim!”
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