quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Sobre o fim do mundo, facebook e outros delírios



Faz poucos dias 
o mundo acabou 
E no Rio de Janeiro
As morenas se bronzeavam 
num calor de 43 graus.

Apesar disso,
Vacas continuam a ruminar capim
Arrotando o efeito estufa.
E o milho continua transgênico.
A galinha ainda recebe hormônio.
E infelizmente as pessoas continuam morrendo de câncer. 

A humanidade está sentada
Vendo trivialidades no facebook
Comendo, 
                cagando
                                 trepando
Como vacas alienadas ruminando 
                                                        imagens.

A caverna lhes foi aberta
Mas preferiram os grilhões
À verdade cegante do sol.

As vacas estão magras
                                    No Sertão
                                                        Não tem água 
Mas tudo é um grande delírio
De uma postagem com várias “curtidas.”

Você posta sua vida, 
                                    seu lar, 
                                                    os seus sonhos 
Para uma maquina surreal
Que tudo guarda,
E que tudo vê...

Porque tal estado de coisas?

PROPAGANDA!

Para que a humanidade continue sentada
Com sonhos de consumo...

Mas a vaca despenca
Cansada e faminta
E já está apodrecendo 
E o mundo avança 
Numa velocidade alucinante
Em direção ao nada.

Ensaiam revoluções sublimes
Nas redes
Mas pouco muda,
A não ser o numero crescente
De usuários do facebook.

O mundo inteiro na nossa mão
Na tela touch de um IPhone 5
Mas infelizmente milhares de pessoas
Se fizeram de gado
E por isso o planeta está derretendo.

O Individualismo
                           O Consumo
                                                O Progresso

Essa fórmula gerou a irracionalidade coletiva
Que é nossa civilização.

Nunca tivemos tanto e fomos tão cegos 
                                                             Egoístas
                                                                              Estúpidos

A civilização moderna é uma degeneração contagiosa 
Que eventualmente vai consumir A Vida.

O fim do mundo?

Mais uma piada da internet.
Mas no futuro 
Toda essa geração 
Será desprezada.

Como pudemos sacrificar tudo por comodidade e egoísmo?

- A ciência nos salvará. Dizem.

Ha!
Escarro na cara desses idiotas. 
Há!

A ciência nos destruiu
Ao se vender à industria
Como um puta pequeno-burguesa...

Não, 
a técnica só vai aliviar o desconforto
Dos ricos poucos
O resto vai se fuder mesmo, 
Gado que é.

Qual a solução? 

Nada adianta
Agora é tarde 
Tudo será paliativo.

Estamos precisando de uma humanidade 
Urgentemente

Enquanto isso
Aproveite o fim do mundo!

28/12/2012







Brasília 

O calor cozinha lentamente os miolos
e as cigarras cantam sua vida breve.
Desesperado como elas 
Padeço ruminando ideias. 

Entre os versos 
E a ficção científica
Preencho um a um as células da planilha.
Ansiosamente deposito 
As nobres transgressões 
dos nossos excelentíssimos deputados,
tentando estimar seu efeito eleitoral. 

Desesperado tento me convencer
Da utilidade e nobreza desse gesto
Mas no fundo invejo 
O amor cantado da cigarra
Em sua vida breve.

Brasília está infestada de cigarras
E deputados corruptos
Enquanto isso,
Olho com um misto de desdém e tédio 
A planilha esburacada
Aguardando tenaz um prêmio nobel.

2492 multiplicado 
Por 264 colunas:
Perceba o tamanho do meu tédio,
Da minha indolência,
Ao sabor do canto desesperado da cigarra
E do calor inebriante de Brasília

Se parar de trabalhar
Talvez vire cigarra
E possa voar à companhia
Cantarolante 
Da minha amada...




25 de outubro de 2012

terça-feira, 7 de agosto de 2012


Passa o tempo


Vou a praia todos dias
Da janela do meu quarto
Sou as árvores 
e nuvens 
e prédios refletindo o sol
Sentado na cadeira da varanda.

Tédio confeso?
Invenção?
Brinquedo?


Universo em mim
Eu no verso.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012


Pela janela passa um rio

Chama-se Capibaribe
Está estéril, imundo, cansado.
Esse rio passa em mim
Nele somos e não somos.

Diante a suprema aceitação da vida,

Quando despertar na tua manhã
Um estridente nascer do sol
Que significa diante disso o trabalho?

Mas se pelo trabalho reproduzimos

A nós mesmos em carne decomposta,
Também perdemos o tempo
Compramos a morte.

E não é a música
A salvaguarda do homem ciente.
Toda arte só faz distrair
do fato mais precioso
do infinito correr do rio
do outro lado da janela.

Só resta tomar banho
Nesse rio imundo que espera
E fazer brilhar no reflexo da superfície
Uma vida proveitosa e bela.

Depois se reconciliar com o tempo
E calmamente retornar ao silêncio.
Fluir para sempre e nunca.
Em tudo, virar o ser e o nada.