Brasília
O calor cozinha lentamente os miolos
e as cigarras cantam sua vida breve.
Desesperado como elas
Padeço ruminando ideias.
Entre os versos
E a ficção científica
Preencho um a um as células da planilha.
Ansiosamente deposito
As nobres transgressões
dos nossos excelentíssimos deputados,
tentando estimar seu efeito eleitoral.
Desesperado tento me convencer
Da utilidade e nobreza desse gesto
Mas no fundo invejo
O amor cantado da cigarra
Em sua vida breve.
Brasília está infestada de cigarras
E deputados corruptos
Enquanto isso,
Olho com um misto de desdém e tédio
A planilha esburacada
Aguardando tenaz um prêmio nobel.
2492 multiplicado
Por 264 colunas:
Perceba o tamanho do meu tédio,
Da minha indolência,
Ao sabor do canto desesperado da cigarra
E do calor inebriante de Brasília
Se parar de trabalhar
Talvez vire cigarra
E possa voar à companhia
Cantarolante
Da minha amada...
25 de outubro de 2012
25 de outubro de 2012
Sem comentários:
Enviar um comentário