quinta-feira, 27 de dezembro de 2012



Brasília 

O calor cozinha lentamente os miolos
e as cigarras cantam sua vida breve.
Desesperado como elas 
Padeço ruminando ideias. 

Entre os versos 
E a ficção científica
Preencho um a um as células da planilha.
Ansiosamente deposito 
As nobres transgressões 
dos nossos excelentíssimos deputados,
tentando estimar seu efeito eleitoral. 

Desesperado tento me convencer
Da utilidade e nobreza desse gesto
Mas no fundo invejo 
O amor cantado da cigarra
Em sua vida breve.

Brasília está infestada de cigarras
E deputados corruptos
Enquanto isso,
Olho com um misto de desdém e tédio 
A planilha esburacada
Aguardando tenaz um prêmio nobel.

2492 multiplicado 
Por 264 colunas:
Perceba o tamanho do meu tédio,
Da minha indolência,
Ao sabor do canto desesperado da cigarra
E do calor inebriante de Brasília

Se parar de trabalhar
Talvez vire cigarra
E possa voar à companhia
Cantarolante 
Da minha amada...




25 de outubro de 2012

Sem comentários:

Enviar um comentário