Ladeado por ninfas nuas que serviam vinho pelos seus corpos ardentes
cheguei ao ritual circense que me levou à tragédia dos gregos.
Lá, sentado entre outros filósofos como eu,
assisti ao nascimento e à morte de um deus!
Antes e nos intervalos, uma fumaça oportuna soprou sobre mim e meus companheiros
fazendo nos ver com mais clareza o espetáculo.
A música que jorrava pelos lábios grossos daquela negra
reverberava nos cantos mais ocultos das almas
daqueles que presenciavam aquele ritual pagão.
Preenchido assim pelas musas, pela fumaça e pelo canto estrondoso
um sorriso desabrochou calmo e atrevido.
Então, quando menos esperava,
uma deusa Afrodite se revelou como uma mortal
e fiquei preso no seu olhar como um doido.
O ritual se desfez em minha volta
caindo os panos do teatro,
ficou somente aquela atriz
que não estava atuando
e ela olhou para mim
e sorriu.
Quando as ninfas foram descansar seus corpos sujos
usados por mil homens enfurecidos de desejo
fui para o grande pátio onde poetas e filósofos discutiam o acontecido.
Lá enfrentei como Perseus a irá dos deuses ciumentos e invejosos
e cortejei a dama que se fez em deusa para meus olhos.
Nesse momento Dom Quixote me emprestou seus inimigos invisíveis
e eles cruelmente se apossaram da minha voz,
nem ao menos pude expressar para Afrodite minha admiração que desconhecia.
Quando finalmente me desvencilhei do odioso encantamento
um repórter de Hermes roubou me seu olhar.
Foi, então, que tudo em minha volta voltou a claridade
e prosseguiu o ritual bancante que já não mais interessava.
A deusa grega inventada se desinventou por detrás de tantos espectadores que meus olhos já não mais a viam.
Tudo voltou ao normal depois disso,
estava somente numa província esquecida no tempo assistindo à divertida putaria de Zé Celso
e descobri estarrecido, que enfrentava moinhos de vento.
muito bom esse aqui, Prin!
ResponderEliminarbjo
Laurão