quinta-feira, 4 de julho de 2013

Amor do desapego



Amor
Perdido amor
Nunca esquecido
Aonde está o amor que eu procurei
Em vão
Neste lugar?

As nuvens passam
Vagarosas
Nas tardes de domingos
Já esquecidos...

Vejo casais apaixonados
Passando de mãos dadas
E os invejo
em suas pequenas brigas.

Com o tempo
Calo
Petrifico
Fico indiferente
Esqueço.

Minha companhia
São os amigos
Que por sorte
Permanecem solteiros
E a família
A quem logo me despeço.

Afora isso só tenho meus livros
E todos os sonhos do mundo
E a terra inteira
Mais a via láctea
E o Abismo.

Que o amor
Venha a mim
Se tiver que vir
Ou se tiver
Que não venha.

Antes a paz!
A tranquilidade
De uma solidão
Do frio
No por do sol.

Por isso
O desapego
Da consciência
De que em tudo
Há verme
Sorrateiro
Trabalhando para o Nada.

Meu coração é muito maior do que o mundo
Maior do que o universo.
E por isso
Não me resta opção
Se não
Desabafar
em verso.

Sem a música
E a poesia
Cairia de vez
No Abismo
Mas me apego
À materialidade das coisas vivas
Com um desespero
De quem já avista a morte
Corroendo meus sapatos.

O amor!?

O nobre amor
Essa filha da solidão
Do desespero
Da mesquinhez
do hábito.
Dele me desfaço...

Mulheres que amei
Peço desculpa
Por todo gesto
Insensível
Ou inacabado.

Estais melhor sem mim
E eu estou bem...

Antes de amar
A paz
E nunca quero ser inconveniente.

Se não quer mais
Meus beijos
Paciência.

Solidão,
Dai-me forças para continuar altivo
Lúcido
Não me deixei cair na tentação
Do amor-seguro!

Mulher que eu amo
Que ainda não conheci
Ou que conheci
Mas deixei escapar
Que possamos nos encontrar
Um dia
E com nossos grandes desertos
Fazemos um grande poema
Breve ou longo.

Mas não:
O desespero
O ciúme louco
O egoísmo.

Mais que isso
Quero paz!
E ame
Antes de tudo a si mesmo
E depois ame a tudo
Que tem vida
Que respira
E seja grato.

Ame o mundo
E mude-o
Em todos os gestos
Com todo desespero
Que é viver.

Somos predestinados
A grandes feitos
Mas enquanto isso
Quero a paz
A felicidade tênue
Da vida grata.



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