Acordo dum
sonho em que voada por sobre a cidade
Levanto
Pisando o
esquerdo primeiro
Preciso de
um cafe
Meu cafe
amargo e acido e negro
Saboreio a
indigestão que ele me traz
Lembro do
fígado castigado pelas cachaças da adolescência
Faço meu
pequeno ritual na privada
E abro o
jornal...
Mas o
jornal transborda de sangue
Um sangue
escuro e velho
E o sangue
transborda sobre meus sapatos
Ergo-me
perplexo
Escorrego
no sangue que jorra e já vaza do banheiro
Vagarosamente
luto por entre o sangue caudaloso que transborda do jornal.
Mas dou
descarga
E toda
merda segue abaixo
Na
escuridão dos esgotos que desconhecemos.
Então
Começo o
dia
Com um bom
banho
Para lavar
a alma
E visto a
máscara
De cidadão
bem humorado...
Mas o
sangue
O sangue
velho do jornal
Ele manchou
o meu verso.
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