segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Meu poema está encharcado de sangue


Acordo dum sonho em que voada por sobre a cidade
Levanto
Pisando o esquerdo primeiro
Preciso de um cafe
Meu cafe amargo e acido e negro
Saboreio a indigestão que ele me traz
Lembro do fígado castigado pelas cachaças da adolescência
Faço meu pequeno ritual na privada
E abro o jornal...

Mas o jornal transborda de sangue
Um sangue escuro e velho
E o sangue transborda sobre meus sapatos
Ergo-me perplexo
Escorrego no sangue que jorra e já vaza do banheiro
Vagarosamente luto por entre o sangue caudaloso que transborda do jornal.

Mas dou descarga
E toda merda segue abaixo
Na escuridão dos esgotos que desconhecemos.

Então
Começo o dia
Com um bom banho
Para lavar a alma
E visto a máscara
De cidadão bem humorado...

Mas o sangue
O sangue velho do jornal

Ele manchou o meu verso.

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